sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Noticia:"Como calar os transposões."


A técnica desenvolvida por cientistas do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), que permite isolar com sucesso os constituintes dos grãos de pólen da planta Arabidopsis thaliana, foi essencial para um estudo, publicado esta semana a prestigiada revista científica Cell, que descreve como sequências móveis de DNA, os chamados transposões, são silenciadas nas células sexuais dos grãos de pólen suprimindo assim o efeito mutagénico desses elementos de DNA.

Jörg Becker, José Feijó e as suas equipas no Instituto de Ciência a par de Robert Martienssen e colegas em Cold Spring Harbor Laboratory (CSHL), nos Estados Unidos, explicam no artigo como descobriram um mecanismo que controla a expressão de transposões e que possivelmente se estende a outros seres eucariontes, como a mosca da fruta, as amebas e algas. Os transposões são muito comuns em todos os genomas conhecidos, constituem, por exemplo, cerca de 45 por cento do genoma humano e estão envolvidos na sua evolução, bem como na de outros organismos.

Ao integrarem-se numa posição do genoma, diferente da original, explica um comunicado do Instituto Gulbenkian de Ciência, podem alterar a função e organização de outros genes e causar mutações prejudiciais para as células e para o organismo. Houve então a necessidade de perceber como exercer o controlo apertado da sua expressão, até porque se essas mutações ocorrerem nas células sexuais serão transmitidas à próxima geração.

Inicialmente, Keith Slotkin, do grupo de Robert Martienssen no CSHL, observou que os transposões, geralmente em silêncio na planta adulta, são activados no polén de Arabidopsis thaliana. Os grãos de polén são constituídos por um núcleo vegetativo e duas células sexuais masculinas. O núcleo vegetativo não contribuí com material genético para a nova planta, ao contrário das células sexuais. Depois, graças à técnica desenvolvida pelo grupo de Jörg Becker (no IGC ) foi possível localizar a actividade dos transposões no núcleo vegetativo e revelar o seu papel fundamental no controle de expressão destes elementos nas células sexuais. Com esta técnica, explica Becker, “foi possível comparar o material genético de ambos os núcleos e comprovar a activação de transposões no DNA do núcleo vegetativo e o seu silenciamento no DNA hereditário das células sexuais”.

Os investigadores quiseram perceber porque razão os transposões não eram activados nas células sexuais e usaram novamente a técnica de separação de células desenvolvida no IGC, verificando que silenciadores de genes – os chamados siRNA (“small interference RNAs” em inglês, ou pequenos RNAs de interferência) acumulavam-se nas células sexuais vizinhas. Pensa-se que aí os 2 siRNA’s actuem sobre os transposões e silenciem a sua expressão, prevenindo os efeitos mutagénicos dos mesmos.

“A optimização desta técnica só foi possível porque os grupo que investigam o desenvolvimento dos grãos de polén no IGC, trabalham lado-a-lado com outros que desenvolvem técnicas de separação de células do sistema imunitário. Agora somos capazes de olhar para a activação de genes nas células sexuais do grão de polén e reunir informações surpreendentes, já que podemos observar que estas células são geneticamente mais activas do que se pensava. Neste momento estamos a tentar descobrir o papel que os genes que são activados desempenham no desenvolvimento das células sexuais e potencialmente no futuro embrião”, explica Jörg Becker.

A acumulação de siRNAs em células sexuais poderá ser um processo de silenciamento de tranposões comum a eucariontes, já que são detectados em outros organismos como a mosca da fruta. Este trabalho levanta a hipótese de que também nestes organismos os siRNAs actuem em resposta à activação de transposões em núcleos adjacentes ao que transporta a informação genética hereditária.

O estudo foi realizado com financiamentos dos National Institutes of Health (NIH), nos Estados Unidos da América, e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), em Portugal.

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=817

Notícia: "Fóssil da maior serpente do Mundo pode ajudar a perceber alterações climáticas"


Os cientistas que estudam os restos da maior serpente do Mundo, descobertos no Norte da Colômbia, acreditam que estes poderão trazer revelações sobre o clima e o meio ambiente em que viveu o réptil há 60 milhões de anos.

Baptizada de "Titanoboa Cerrejonensis" devido ao seu tamanho e à localização da mina de carvão de Carrejón onde foi encontrada há cerca de dois anos, a gigantesca serpente tinha mais de 13 metros de comprimento e pesava 1,25 toneladas, de acordo com os paleontólogos que analisaram as suas vértebras e cujas conclusões do estudo estão publicadas na última edição da revista "Nature".

"É a maior serpente que o Mundo conheceu", declarou à "Nature" Jason Head, da Universidade de Toronto Mississauga, principal autor do estudo e membro da equipa internacionais que analisou o fóssil. Jason Head comparou o tamanho do réptil com um autocarro e disse que o seu corpo era tão largo que não caberia na porta de uma casa.

"Esta descoberta dá-nos uma visão única e importante do passado", declarou Jonathan Bloch, da Universidade da Florida, cientista que dirigiu a expedição à Colômbia, juntamente com Carlos Jaramillo, do Instituto Smithsonian de investigação tropical no Panamá. Segundo Jonathan Bloch, o fóssil data da época do Paleoceno, período de 10 milhões de anos que se seguiu à extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos.

Na opinião dos cientistas, o tamanho do réptil é revelador porque a dimensão das serpentes e de outros animais de sangue frio depende da temperatura do seu habitat Com base no seu tamanho, Head e Bloch calculam que a "Titanoboa" tinha necessidade de uma temperatura média anual entre os 30 e os 34 graus centígrados para sobreviver, seis graus mais do que a média actual na cidade costeira colombiana de Cartagena (28 graus).
Implicações da descoberta

Carlos Jaramillo explicou que os cientistas sabem pelos fósseis de plantas encontrados em Carrejón que a zona, que hoje é árida, foi um bosque tropical no período do Paleoceno. "No Paleoceno, os níveis de Dióxido de Carbono (CO2) na atmosfera eram o dobro dos existentes actualmente e a selva tropical sobrevivia a 32 graus, cinco mais do que os que se registam actualmente naqueles bosques", afirmou o botânico, que destacou as implicações desta descoberta para compreender o efeito climático sobre as plantas tropicais.

Nunca tinham sido encontrados na zona equatorial da América do Sul fósseis de um vertebrado com entre 55 e 65 milhões de anos de antiguidade devido à densidade da selva e à maior deterioração dos cadáveres devido ao calor, explicou David Polly, da Universidade de Indiana, EUA, outros dos autores do estudo.

"Por um lado, esta nova espécie permite-nos compreender melhor a história das serpentes e, por outro lado, dá-nos uma indicação do clima nos trópicos no período em que estavam a começar a evoluir grupos modernos de organismos", declarou.

Na região de Carrejón foram também encontrados muitos esqueletos de tartarugas gigantes e dos extintos antepassados dos crocodilos, que na opinião dos cientistas foram aparentemente devorados pela gigantesca serpente. As maiores serpentes da actualidade são as anacondas, que medem entre cinco e sete metros, e as pitons, com um comprimento entre um e seis metros.

Carlos Jaramillo sublinhou que se prosseguirem as alterações climáticas será possível ver no futuro serpentes como a "Titanoboa", ainda que para isso tenham de passar milhões de anos, já que as espécies evoluem lentamente. O que mais alarma os cientistas, segundo Polly, é a rapidez com que se estão a produzir as alterações climáticas, já que podem impedir a que as espécies e os ecossistemas se adaptem.

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=29394&op=all

Voltámos!

Bem-vindos ao nosso blog!
Uma vez mais aqui estamos nós, desta vez também para anunciar uma novidade. Decidimos, colocar, todas as semanas, pelo menos uma notícia que esteja relacionada com a Ciência, nas suas mais diversas áreas. Isto significa que tanto a área de Saúde como as de Astronomia, Física, Química, Biologia, Geologia, entre outras, serão abordadas de forma mais profunda. Uma vez que o nosso projecto é apenas a nível escolar, onde nos iremos cingir às áreas mais básicas (e que são leccionadas até ao 12º ano) como a Física, Química, Biologia e Geologia, pensamos que esta nova actividade no nosso blog irá conferir-lhe uma maior diversidade, sendo assim mais interessante e estimulante.
Divirtam-se! :)
Alexandra, Bárbara e Margarida.